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Mais antiga cópia dos Dez Mandamentos é exibida em Israel

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dez mandamentos

O mais antigo documento conhecido que reproduz integralmente os Dez Mandamentos está em exibição em Jerusalém, em uma mostra do Museu de Israel - informou nesta quarta-feira o estabelecimento.

O documento, escrito em hebraico e com mais de 2.000 anos de idade, é geralmente mantido nas instalações da Autoridade de Antiguidades de Israel, fora de alcance ao público e em condições draconianas de conservação, similares à caverna onde foi encontrado.

O documento já havia ganhado uma exposição excepcional em Nova York, em 2011, e em Cincinnati, em 2013. Mas seu acesso ao público é muito raro, até mesmo em Israel.

Agora, o público pode apreciá-lo por ocasião da exposição intitulada "Uma breve história da humanidade", montada no Museu de Israel com recursos oriundos do estabelecimento e inaugurada recentemente. O texto está protegido numa redoma dotada de um dispositivo climático devido à sua fragilidade.

O documento, de 45,7 cm de comprimento e 7,6 centímetros de largura, com as instruções morais que Moisés teria recebido de Deus no Monte Sinai, faz parte dos 870 manuscritos encontrados por um beduíno no noroeste do Mar Morto entre 1947 e 1956 perto de Qumran.

Muitos especialistas estimam que os Manuscritos do Mar Morto foram escritos pelos essênios, uma seita judaica dissidente que se retirou no deserto. Outros especialistas acham que poderiam vir de bibliotecas do Templo Judaico que estava sendo erguido em Jerusalém, e foram escondidos em cavernas com a aproximação dos romanos que destruíram o local em 70 d.C.

O manuscrito original da teoria da relatividade de Albert Einstein está em exibição na mesma exposição, que foi inaugurada em 30 de abril e vai até janeiro de 2016.

Fonte: AFP

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Mensagens de Páscoa: Páscoa... Não temei a morte, pois sois livres!

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Páscoa Não temei a morte pois sois livres

 

Páscoa... Não temei a morte, pois sois livres!

Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo

Não tenho medo de morrer. Eu sou um homem livre.”[1]

Vivemos uma “vida nova”[2] porque Cristo ressuscitou.

“Pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,

Ele nos fez nascer de novo para uma esperança viva.”[3]

Nosso “velho homem”[4] foi crucificado com Ele.

“Morremos com Cristo, viveremos com Ele.”[5]

“Se já morremos com Ele, também com Ele viveremos;

se resistimos com ele, também com Ele reinaremos;

se o negarmos, Ele também nos negará;

se lhe somos infiéis, Ele, no entanto, permanece fiel,

pois não pode negar-se a si mesmo.”[6]

Não “servimos mais ao Pecado”[7], mas ao Amor.

Nosso destino é buscar “as coisas do alto”[8], aquilo que conta!

Não somos mais servos, mas herdeiros!

Somos herdeiros porque “somos filhos de Deus”.[9]

Sofremos com Cristo, nosso irmão, para “sermos glorificados com Ele.”[10]

 “Se é só para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo,

somos, dentre todos os homens, os mais dignos de compaixão”.[11]

“Eu sou a Ressurreição e a Vida.

Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá.”[12]

“Esta é a vontade do meu Pai:

quem vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna.

E eu o ressuscitarei no último dia.”[13]



[1] Frase pronunciada, pouco tempo antes da morte, pelo monge trapista Irmão Luc (Lucas) do mosteiro Nossa Senhora de Atlas ou mosteiro de Tibhirine, em Atlas, na Argélia. Na noite entre 26 e 27 de março de 1996, um comando formado por cerca de vinte homens armados invadiu o mosteiro e sequestrou sete dos nove monges que formavam a comunidade, todos de nacionalidade francesa. O sequestro foi reivindicado, um mês após, pelo Grupo Islâmico Armado, que propôs à França uma troca de prisioneiros. Após negociações inúteis, em 21 de maio do mesmo ano, os terroristas anunciaram a morte dos monges, cujas cabeças foram encontradas no dia 30 de maio. Os corpos dos sete monges, porém, nunca foram encontrados.

[2] Romanos 6,4.

[3] 1 Pedro 1,3b.

[4] Romanos 6,6.

[5] Romanos 6,8.

[6] 2 Timóteo 2,11b-13.

[7] Romanos 6,6.

[8] Colossenses 3,1.

[9] Romanos 8,16-17.

[10] Romanos 8,17.

[11] 1 Coríntios 15,19.

[12] João 11,25.

[13] João 6,40.

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Mensagens de Páscoa: a Páscoa entre judeus e cristãos

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pascoa

 

Rev. Ângelo Vieira da Silva

 

O sentido histórico da “Páscoa” não pode ser vedado ou omitido por judeus e cristãos. O “Pessach”remonta a principal festa do judaísmo em comemoração à libertação dos israelitas da escravidão do Egito, feito administrado por Moisés e selado com a “passagem” do povo hebreu pelo Mar Vermelho há mais de 3.200 anos (Exodo 12.1-28; Levítico 23.5-8, Números 9.1-14).

Igualmente, no pacto da graça entre os cristãos celebra-se a ressurreição de Jesus Cristo no chamado dia do Senhor, o domingo (Lucas 24.1; Atos 20.7; 1 Coríntios 16.2 e Apocalipse 1.10). Esta “Páscoa de Cristo” é uma lembrança viva do “sacrifício do Cordeiro” de Deus na cruz, que possibilita a “libertação da escravidão do pecado”.

 

 

Mestre em Ciências das Religiões pela Faculdade Unida de Vitória

 

Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie

 

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Mensagens de Páscoa: Páscoa, anúncio de libertação

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os 4 elementos

Marcelo Barros

Cada vez mais, em nossas cidades, as festas religiosas representam apenas dias de descanso ou feriados para passear. Isso é normal em uma sociedade laica e pluralista, na qual convivem crentes de diversas religiões e pessoas que não pertencem a nenhuma. Seja como for, é bom que toda pessoa de boa vontade saiba: nesses dias, a partir dessa 5ª feira santa, quando começa o Tríduo Pascal, com o domingo da Ressurreição e ainda por 50 dias, as Igrejas antigas celebram a Páscoa. Trata-se da revivência de um fato que, embora guarde uma linguagem religiosa, contém uma verdade mais aberta e universal. Isso pode interessar a toda pessoa que busca um novo mundo possível. 

Muito antigamente, no Oriente Médio, antes de existir comunidades judaicas, a Páscoa era uma festa, através da qual agricultores e pastores de ovelhas celebravam a chegada da primavera. Como era marcada por danças, tomou esse nome que, em hebraico antigo, significava: passos. As pessoas davam passos rituais para sair dos abrigos nos quais se protegiam do frio do inverno. Saíam para a liberdade da natureza que, na primavera, brota de novo e mostra sua força de vida. Conforme a tradição bíblica, em uma dessas antigas festas de Páscoa, escravos hebreus viveram a libertação do Egito, conduzidos por um Deus que, conforme a Bíblia, não aceita que nenhum ser humano seja escravo ou explorado. Até hoje, a cada ano, as comunidades judias celebram a Páscoa para recordar que toda pessoa tem vocação para ser livre e libertar os outros. Já os evangelhos cristãos contam que, por ocasião de uma Páscoa, o profeta Jesus de Nazaré foi celebrar a festa em Jerusalém. Ali foi condenado à morte e assassinado pelos romanos que dominavam Israel. Depois de morto, seus discípulos testemunharam que sua presença continua viva na comunidade dos discípulos/as que obedecem à sua proposta de renovar-se e serem pessoas de comunhão com toda a humanidade e com a natureza.

Atualmente, no mundo pluralista em que vivemos, cada vez mais, os verdadeiros cristãos e cristãs se tornam uma minoria. Eles se unem a toda pessoa de boa vontade para que se torne verdade a proposta divina de um mundo justo e igualitário no qual todas as pessoas possam viver de forma livre e com dignidade. A celebração da Páscoa, tanto judaica, como cristã, deve sinalizar essa esperança. Os ritos pascais retomam a veneração aos elementos básicos da natureza: a terra, o fogo, a água e o ar (o vento que, em hebraico, significa Espírito). Essa dimensão ecológica da Páscoa lhe dá uma dimensão mais ampla do que as celebrações religiosas. Pode até ajudar a humanidade a retomar a uma espiritualidade mais ecológica de comunhão com a Terra e a natureza. Além disso, a Páscoa judaica e cristã é, em si mesma, anúncio de libertação para toda a humanidade. Em América Latina, mesmo ainda de forma parcial e incompleta, o processo bolivariano, que emerge das comunidades populares na Bolívia, no Equador e na Venezuela, tem um caráter pascal porque parte do cuidado com os mais empobrecidos e nos chama a ser homens e mulheres novos, renovados pelo Espírito Divino e conduzidos para a justiça e a liberdade. Quem é cristão/ã é chamado/a a viver esse caminho como testemunha de que Jesus ressuscitou verdadeiramente e está no meio de nós. Em nós, o seu Espírito engravida um mundo novo. 

 

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Mensagens de Páscoa: Traumas que nos põem na defensiva

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Criança

Ângela Natel

Impossível ignorar a imagem da menina síria de quatro anos que teria levantado as mãos para o alto como se estivesse se rendendo ao confundir uma câmera fotográfica como uma arma. A imagem comovente foi compartilhada pela fotojornalista Nadia Abu Shaban no Twitter neste mês de março de 2015.

Uma imagem que nos remete a uma atitude muito comum: a defensiva que as pessoas se colocam devido aos traumas experimentados, as dores que vêm à tona com a lembrança de um ato de violência, de um abuso, da violação de um direito humano. Quantos de nós já não levantamos nossas defesas e nos sentimos vulneráveis numa simples conversa, quando uma sobreposição de imagens se forma em nossa mente e o que estamos vivendo se parece com alguma circunstância que no passado veio a nos ferir. Diante de uma situação de vulnerabilidade, duas podem ser as reações: se nos vemos impotentes, erguemos nossas mãos em rendição, entregamos nossos valores e nos abandonamos à deriva da situação ou, se nos consideramos fortes o suficiente, erguemos nossos muros de proteção e lançamos todo tipo de contra-ataque, seja com palavras e argumentação racional, seja com atitudes ou até mesmo rebatendo em violência.

Tudo isso não passa da mesma circunstância: os traumas que nos põem na defensiva e nos impedem de enxergar no outro uma atitude pacificadora, uma tentativa de estabelecer um vínculo, uma relação. Perdemos muito quando, por exemplo, numa discussão, enquanto o outro fala, já pensamos numa resposta, sem o mínimo esforço em primeiro ouvir e realmente compreender o que o outro quer dizer com suas palavras. Perdemos muito quando supomos antes de perguntar para esclarecer, quando nos entregamos aos traumas e somos levados pelas ondas das emoções calejadas, quando não baixamos as defesas nem arriscamos estender a mão ao invés de levantá-las.

É triste e profunda a reação que uma imagem como a publicada pela jornalista pode provocar e, como seres ainda humanos que somos, precisamos atentar para nossas atitudes, não somente no sentido de evitar causar tais traumas ao outro, nem apenas em socorro aos que já sofrem nestas circunstâncias, mas também olhando no espelho do próprio coração e perceber quando somos mais guiados por traumas nas relações passadas do que pela vida que há na experiência do relacionamento interpessoal que se nos apresenta diariamente no presente.

Vale aqui a reflexão, ainda que simplória, de cuidarmos em nos abster dessa escravidão emocional que nos obriga a constantemente tentar provar algo para alguém, de nos livrar desse vício desesperado por sempre sair com as respostas, de sempre ter razão, essa luta por não ser mais machucado – que não passa de simples medo. Um exemplo como este da menina síria reflete o que se encontra no coração de toda a humanidade, revela as feridas que nos impedem de estabelecer vínculos saudáveis, de amar e se entregar incondicionalmente.

Que nesta páscoa, uma festa celebrada por mais de um credo religioso, seja um tempo para todos nós refletirmos a respeito desse medo de nos entregarmos ao outro, desse trauma que nos impede de largar os argumentos tão cerrados em nossos lábios. Que, como o próprio sentido da páscoa – pesach/passover – assim como o anjo da morte passou por cima das casas dos hebreus no Egito e não afligiu com morte seus primogênitos, possamos passar por cima destes traumas e não atentar contra a vida do bem mais precioso do coração alheio. Que, com liberdade possamos olhar nos olhos do outro e não mais enxergar as dores que sofremos no passado, mas sejamos livres em amar e nos deixar amar, em repartir e estabelecer vínculos para a eternidade.

Feliz Páscoa a todas as pessoas que desejam esta liberdade.

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Mensagens de Páscoa: Com os pés na estrada fazemos a Páscoa

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caminhada

 Com os pés na estrada fazemos Páscoa

por Thiago Valentim Pinto Andrade

Membro da ABIB

Tabuleiro do Norte – Ceará

A festa da Páscoa é tão antiga quanto profunda. De suas raízes judaicas à pascoa cristã, celebrá-la é fazer memória de vida, de libertação, de caminhada, de desafios. Não se pode celebrá-la sem compromisso e efetivo processo de transformação. É a festa da vitória da vida. Não somente vitória da vida de Jesus sobre a morte e os poderes do mal, mas também vitória da nossa vida sobre as realidades que nos oprimem e matam. O episódio de Emaús (Lc 24,13-35) nos apresenta três elementos importantes para a Páscoa: 1. É passagem pela cruz: “... Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram” (v.20). A perseguição, as ameaças, a morte são consequências de uma opção por justiça, por direitos, por dignidade e liberdade. Diante de sociedades dominadas por pessoas que usam seus poderes e riquezas para oprimir, quem se opõe incomoda e sofre perseguição. 2. É travessia, é caminho: “... o próprio Jesus aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles” (v.15). Estar em comunhão com a Páscoa de Jesus significa fazer a travessia da morte para vida, mas vida com dignidade, compromisso com os empobrecidos e empobrecidas. A vitória da vida de Jesus afirma para a humanidade que os poderes opressores não possuem a última palavra. Não se faz páscoa sem caminho. 3. É partilha do que alimenta: “E uma vez à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e deu-o a eles” (v.30). A Páscoa passa por atitudes concretas de defesa e promoção da vida, passa pelo estômago, pelo pão partilhado, pela solidariedade, pela compaixão com quem sofre. Que a celebração pascal seja expressão da vida cotidiana, fortalecendo projetos pessoais e comunitários de vida e de libertação, gerando conversão, superando sofrimentos, caminhando firmes na construção do reinado de Deus nesta terra. Que a Páscoa aconteça na espiritualidade do cotidiano, nas lutas concretas de camponeses e camponesas, quilombolas, indígenas, do povo da rua, dos que sofrem discriminação, preconceito e violência, dos esfarrapados e esfarrapadas deste mundo. Seja Páscoa da criação defendida e bem cuidada. Uma boa celebração a todas e todos!

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Páscoa - Mensagens de associados

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Domingo de Ramos

Hoje é Domingo de Ramos, que abre as celebrações da Semana da Páscoa, e até o próximo domingo a ABIB irá divulgar diariamente mensagens especiais sobre esse período especial para a fé judaica e cristã. 

Neste Domingo de Ramos, que possamos nos juntar à multidão (ochlos), declarando Ho she Aná - Salve-nos, Deus, desses homens gananciosos, que matam, exploram e mentem, que oprimem teu povo e os pobres, pela fome do dinheiro e a sede de poder. 

E saber que a resposta de Deus não será a violência, nem a tomada de poder pela força, e muito menos a cumplicidade com o poder corrompido, mas será a palavra de bem aventurança para todos os que tem sede e fome de justiça.

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Disponíveis os videos do VI Congresso

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A Faculdade Unida, anfitriã e parceira na realização do VI Congresso ABIB, disponibilizou os vídeos das conferências e painéis realizados nos dias 9 a 11 de setembro em Vitória, ES.

Com o tema Bìblia e Cultura, foram discutidos vários aspectos importantes para a pesquisa bíblica.

Clique no link abaixo e veja os vídeos na íntegra:

Videos do VI Congresso - youtube

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Homenagem a Rubem Alves, poeta da teologia

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Ricardo Lengruber Lobosco (Teólogo, Biblista, Educador, membro da diretoria atual da ABIB)

Rubem Alves 1

Acordamos no sábado, dia 19/07/2014, com a sensação que o dia prometia ser mais do que dia qualquer. A semana já nos preparava para uma notícia dolorosa. O Rubem estava mal, internado e refém das luzes hospitalares com as quais sempre implicou. A insensibilidade do ambiente, de certa forma, nos preparava para a despedida. Tempus fugit.

Rubem Alves é daqueles que são maiores do que as aparências induzem crer. Teólogo, filósofo, educador, psicanalista, escritor. Alvo de críticas de todos os cantos. Depositário todavia de muita admiração. Um pêndulo entre a inveja (que se disfarça sob a maquiagem da indiferença) e a prepotência de quem imagina que saber depende de rodapé. Ensinou-nos que poesia é irmã gêmea da teologia.

Rubem nasceu em 15 de setembro de 1933 na cidade mineira de Boa Esperança, e foi autor de uma bibliografia de mais de 120 títulos; Rubem Alves é conhecido por sua grande contribuição à educação e por seus livros infantis. Educado em família protestante, estudou Teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas, São Paulo. Exerceu a atividade de pastor em Lavras, Minas Gerais.

Em 1963 foi para Nova York estudar Mestrado em Teologia. Em 1968, já no Brasil, foi perseguido pelo regime militar. Nesse mesmo ano voltou para os EUA, onde cursou doutorado em Filosofia na Princeton Teological Seminary. Lá, publicou a obra precursora da teologia da libertação: A Theology of Human Hope. De volta ao Brasil ensinou filosofia na Universidade de Campinas.

Nos anos 80 tornou-se psicanalista, através da Sociedade Paulista de Psicanálise. Passou a escrever para os grandes jornais, sobre comportamento e Psicologia. Rubem, ultimamente, mantinha o Instituto Rubem Alves, uma associação aberta, sem fins econômicos e de interesse publico, fundada por ele e sua família. O objetivo é ser um marco na educação, através do desenvolvimento de programas inovadores e alternativos.

Eu, particularmente, aprendi muito com o Rubem. Li suas estórias desde a adolescência. Descobri meu amor pela teologia e pela palavra. Cresci fora da gaiola. Hoje, me despeço dele, de longe, sem teologia e sem palavras, em silêncio (a suprema linguagem da fé). Apenas com um misto, triste porém conformado, de lágrima e memória. Toda melodia que se preza, para ser bela, repousa, por fim, na pausa final. Carpe diem. Sinto que nossos alunos leiam pouco o Rubem. Perdem.

Permito-me dividir com amigos da interpretação bíblica umas idéias oportunas do Rubem sobre as escrituras:

Explicação

Mosaicos são obras de arte. São feitos com cacos. Os cacos, em si, não têm beleza alguma. Mas se um artista os ajuntar segundo uma visão de beleza eles se transformam numa obra de arte. Músicas são mosaicos de sons. Notas são cacos. Não são nem bonitas nem feias. Mas se um compositor as organizar numa "frase" elas passam a dizer algo. Transformam-se em temas. Sonatas e sinfonias são feitas com temas entrelaçados. Também nós somos feitos de cacos. (...) Somos um mosaico espiral, à semelhança do Bolero de Ravel. As Escrituras Sagradas de todas as religiões são livros cheios de cacos. Nelas se encontram poemas, estórias, mitos, pitadas de sabedoria, relatos de acontecimentos, poemas eróticos, eventos sangrentos. Ao ler as Escrituras comportamo-nos como um artista que seleciona os cacos para construir um mosaico ou como um compositor a compor a sua sonata. Os cacos das Escrituras Sagradas existiram por muito tempo como estórias que eram contadas oralmente, antes de serem transformados em textos para serem lidos. O registro escrito dessa tradição oral trouxe uma vantagem: as estórias continuaram a existir mesmo depois da morte do contador de estórias. E trouxe uma desvantagem: transformados em textos escritos perdeu-se a figura do contador de estórias. Com isso, os leitores começaram a ler as "estórias" como se fossem "história". "História" refere-se a coisas que aconteceram realmente no passado e nunca mais acontecerão, como o naufrágio do Titanic, que pertence à "história" e nunca mais acontecerá. Mas a parábola do Bom Samaritano nunca aconteceu. Foi uma "estória" contada por um mestre contador de estórias chamado Jesus. As estórias são contadas no passado, mas elas não têm passado. Só tem presente. Estão sempre vivas. Quando ouvimos ficamos "possuídos", rimos, choramos, amamos, odiamos - embora elas nunca tenham acontecido. A "história" é criatura do tempo. As "estórias" são emissárias da eternidade. Muitos são os mosaicos que podem ser feitos com um monte de cacos. Muitas são as músicas que podem ser feitas com as doze notas da escala cromática. Horror, humor, amor, vida, morte, vingança... Tudo depende do coração do artista. (...) Coração feio faz mosaicos e músicas feias. Coração bonito faz mosaicos e músicas bonitas. Os mosaicos e as sonatas são o retrato de quem os fez. Cada religião é um mosaico, um jeito de ajuntar os cacos. Cada religião é uma sonata: uma rede de temas. Escolhi os cacos de que mais gosto para fazer o meu mosaico, o meu livro de estórias, a minha sonata, o meu altar à beira do abismo.

(ALVES, Rubem. Perguntaram-me se acredito em Deus. SP: Planeta, 2007, pp. 15-17)

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João Batista Libânio falece aos 82 anos

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Morreu na manhã desta quinta-feira, aos 82 anos, o teólogo João Batista Libânio, reconhecido por sua extensa produção e relevância na reflexão teológica brasileira e mundial. Apesar de não ser biblista, Libânio analisava biblicamente as questões da realidade pelo viés da Teologia da Libertação e do Ecumenismo. Por isso a ABIB presta homenagem e lamenta essa perda irreparável para os quadros teológicos do Brasil.

Abaixo links sobre a trajetória e as reações da comunidade ecumênica sobre o fato:

Notícia oficial da Arquidiocese de Belo Horizonte

Nota da Agência Latino Americana e Caribenha de Comunicação

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Revista RIBLA volta a ser editada no Brasil

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Após alguns anos de ausência no espaço brasileiro, a conceituada revista RIBLA - Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana - voltou a ser publicada no Brasil, em português. Após várias negociações para resolver o assunto, quem passa a responder por sua publicação é a Nhanduti Editora.

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Seminário ABIB SP provocou reflexões sobre pluralismo

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O seminário realizado no dia 28 de setembro, na sede da FATIPI, teve a principal conferência proferida pelo prof. José María Vigil, e provocou muitas reflexões em torno do tema "Hermenêutica Bíblica, Pluralismo e Novos Paradigmas". Além da presença dele, a programação contou com os professor Claudio Ribeiro (UMESP), o rabino Alexandre Leone e a prof. Haidi Jarschel, luterana, no painel "Bíblia, Pluralismo e Perspectivas". O grupo presente considerou o seminário excelente e deseja aprofundar o tema.

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Regional NE realiza Simpósio na Unicap

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Simposio Regional NE

Nos dias 15 e 26 de abril, a Regional ABIB do Nordeste realizou na Universidade Católica de Pernambuco o II Simpósio Cristianismo e Interpretações.

O congresso é uma realização do Grupo de Pesquisa e Interpretações da Unicap e do Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Ciências da Religião e a ABIB foi parceria do evento, com o apoio do Programa de Cooperação Acadêmica Novas Fronteiras (PROCAD NF).

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Jorge Pixley é homenageado na Universidade de Claremont

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História de Israel a partir dos pobres

Aconteceu nos 22 a 24 de abril, na Universidade de Claremont, Califórnia (EUA), uma  série de conferências em homenagem a Jorge Pixley, em especial pela sua contribuição para a Teologia Latino-Americana. Pixley foi um dos importantes biblistas da Teologia da Libertação nas últimas décadas, mas desde 2009 uma forte enfermidade o tem impedido de escrever. A homenagem será promovida pelo Centro de Estudos Processuais, com a presença de Pixley.

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Um ano sem Milton Schwantes

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Há um ano, nos deixava a pessoa de Milton Schwantes, um dos maiores biblistas do Antigo Testamento atuantes no mundo, e em especial na América Latina. Seu pensamento influenciou toda uma geração e ele soube unir com maestria o rigor acadêmico com a leveza dos círculos bíblicos populares. Leve, engraçado, perspicaz e acima de tudo crítico do sistema capitalista, Milton deixa saudade ainda hoje. 

A ABIB se orgulha de te-lo tido como um dos fundadores, e homenageia essa personalidade única aqui no site, bem como em nossa página no facebook. Siga o link e veja mais.

https://www.facebook.com/pages/ABIB-Associa%C3%A7%C3%A3o-Brasileira-de-Pesquisa-B%C3%ADblica/342690852504003

 

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Ao mestre com carinho: Milton Schwantes

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Esse espaço tem função memorial, documenta as manifestações de carinho sobre o falecimento do prof. Milton Schwantes que chegaram pelo e-mail da ABIB. Sabemos que estas não são as únicas, centenas de expressões de carinho estão documentadas pelo Facebook e em outros diversos espaços.

Amigos e amigas,

Nesta madrugada, 1º. de março, faleceu o nosso grande amigo, professor e pastor Milton Schwantes. Com ele vai o exagerado amor pelo estudo da Bíblia. Só me resta despedir como o Milton sempre fazia: “Deus seja contigo”.

Tércio Machado Siqueira (S. Bernardo do Campo - SP)